Perseverança

 

“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei.” Ezequiel 18:32

 

“É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma.” Lucas 21:19

 

Converter-se significa mudar de direção. É tal como alguém que se dirige a um local e, de repente, alguém brada: “Ei! Você aí! Venha para cá!”, e então, após termos voltado a cabeça a quem nos chama, passamos então a caminhar no sentido e na direção de quem nos fez o convite, abandonando para trás os antigos caminhos. Evidentemente, o processo de conversão se inicia no coração, o qual, uma vez rendido à voz de Cristo, permite que toda a nossa vida se converta a Deus. E foi assim comigo, como está escrito:

 

Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” Jeremias 29:13

 

No dia em que me converti ao Senhor Jesus Cristo, nesse mesmo dia, foram tão poderosas as manifestações sobrenaturais divinas sobre mim que não me é possível negar que conheço o Deus vivo. Seria algo como, diante do espelho, dizer a mim mesmo: não sei quem é. Naquele dia, Deus abriu a Bíblia diante dos meus olhos e falou comigo nas palavras de Cristo. De joelhos, confessei os meus pecados ao Senhor Jesus e disse-lhe: “Eu me arrependo”! Naquele exato momento, o Espírito de Deus veio sobre mim e minhas mãos se ergueram aos céus e da minha boca saíram palavras de louvor ao Criador. Eu havia sido batizado no Espírito Santo. Interessantemente, uma das manifestações do Espírito de Deus sobre mim, no dia da minha conversão, foi usar-me para expulsar o demônio que antes tinha um controle sobre a minha vida. Cheio do poder de Deus, ordenei, em alta voz: “Sai! Em nome de Jesus!”. Eu não havia planejado aquilo, nada entendia sobre as coisas espirituais. Porém, no momento em que o Espírito de Deus veio sobre mim, não somente minhas mãos se ergueram aos céus, mas também da minha boca saíram palavras de louvor ao Criador, em verdadeira adoração, sendo eu cheio do poder de Deus, e isto tudo sem nenhum planejamento mental prévio de minha parte. O poder que senti era tamanho que tive a sensação de que se eu simplesmente tocasse a parede, ela desabaria. E naquela hora, da minha boca saiu a ordem que expulsou, para longe de mim, o demônio que antes me perseguia, cumprindo-se assim a Escritura:

 

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” Atos 1:8

 

“E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.” Marcos 16:17,18

 

Importante dizer que não havia nenhum ser humano presente naquele momento, a obra de conversão foi operada pelo próprio Deus, sem auxílio algum de mãos humanas, ainda que eu esteja certo de que o galardão será dado aos que a mim pregaram o Evangelho.

 

Nascido de novo

 

Ainda um bebê espiritual, no primeiro amor, corria de igreja em igreja, pregava o Evangelho a todos os que podia, testemunhava com ousadia sobre a minha conversão e buscava a Deus com indescritível alegria. Eu havia nascido de novo, era uma nova criatura.

 

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” João 3:3

 

Contudo, o que eu ainda não havia compreendido plenamente era que a carne não se converte. O nosso espírito e alma passam a uma novidade de vida, a carne não.

 

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.” Romanos 7:14;25

 

O único remédio para o furor das concupiscências da carne é este:

 

“Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.” Romanos 8:13

 

Os Cristãos e as Duas Naturezas

 

Basta que se leia o Novo Testamento a fim de que se possa bem entender como se dá o conflito entre a alma e a carne. O espírito do verdadeiro cristão conhece a Deus, ama o Senhor e anseia por Ele, porém a carne não se rende a Deus, não se deixa dominar, mas permanecerá guerreando contra a alma até o dia da nossa redenção.

 

“Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma,” 1 Pedro 2:11

 

“Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.” Lucas: 21:28

 

É aqui, entretanto, que entra em cena nosso livre arbítrio, nossa autonomia individual e nosso poder de decisão, pois se não estiver o nosso coração firmemente fundamentado na confiança em Deus, corremos o sério risco de afundarmos nas adversidades e sucumbirmos aos ditames irracionais de nossa natureza adâmica. Quanto a mim, tenho por certo que a confiança inabalável em Deus e a nossa perseverança em seguir a Cristo são poderosas o suficiente para, afinal, nos conferir a vitória, pois a vontade e o poder de Deus estão aqui expressos:

 

“Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos; ora expostos como em espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações, ora tornando-vos co-participantes com aqueles que desse modo foram tratados. Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como também aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmos patrimônio superior e durável. Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma.” Hebreus 10:32-38

 

A Hipocrisia

 

É muito fácil identificarmos atitudes hipócritas em políticos mentirosos e levianos (uma detestável constância na política brasileira – culpa do povo oportunista que os elege), como também é fácil identificarmos estas atitudes em líderes religiosos (examine a Igreja Católica Apóstata Romana, por exemplo). Porém, para os verdadeiros cristãos, os que nasceram de novo, é muito duro termos que admitir que existem evangélicos hipócritas e fingidos, ambiciosos e dissimulados, o que não exclui alguns que são tidos como líderes. Até o presente momento, não recebi do Senhor Jesus Cristo nenhuma autorização a fim de que eu me manifeste a respeito deles, por esta razão não cito nomes. Porém, há irmãos que o fazem. Todavia, o que mais nos interessa neste artigo é compreendermos a completa diferença entre falhar acidentalmente (pecar) e a dissimulação hipócrita, ou seja, a manipulação consciente de fatos em benefício próprio às custas do prejuízo de outrem, algo abominável aos olhos de Deus. Sobretudo em se tratando de alguém que se autointitula de líder cristão. Aqui não trataremos dos hipócritas, mas sim dos que, mesmo não desejando errar, em determinadas circunstâncias são vencidos pelo pecado. Para estes, a palavra de ordem bíblica é: PERSEVERANÇA.

 

Meu próprio Exemplo

 

Como citei anteriormente, nos primeiros anos após a minha conversão a Cristo, eu já me sentia como um grande guerreiro ao lado do Senhor Jesus Cristo, alguém disposto a enfrentar exércitos de diabos, tudo por amor a Cristo e a Igreja. Cheguei a acreditar que não faltava muito até que eu me tornasse um apóstolo de Jesus Cristo. Porém, o que eu ainda não compreendia plenamente era que não havia força alguma em mim, mas era o poder de Deus que me sustentava, com enorme carinho e zelo, como uma mãe que protege seu bebê. Eu não estava ainda crescido espiritualmente o suficiente para ser posto na linha de frente da guerra espiritual. Havia a necessidade de um preparo, de treinamentos e de sofrimentos, até que eu estivesse apto a lançar ataques mais poderosos contra o império de satanás, em nome de Jesus Cristo, no poder de Deus. Hoje reconheço com mais precisão a autoridade concedida por Deus aos cristãos, autoridade esta que tem por finalidade a edificação da Igreja. E, digo, não temo o diabo, todavia ainda me apavora o terrível poder que a velha natureza possui, mesmo já tendo se passado vários anos desde que confiei minha vida aos cuidados de Cristo. E digo isto porque, confesso, por diversas vezes falhei aos olhos de Deus. Por diversas vezes desejei morrer por ter falhado. Tantas foram as minhas falhas e os meus erros, como tantos foram os meus sofrimentos e as minhas muitas angústias. Mas a chama gloriosa do poder de Deus me sustentou até hoje, e me sustenta até agora. E sei que há algo que sempre me foi de inestimável valia: Nunca procurei esconder nada de Deus.

 

“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.” Isaías 1:18

 

Fundamentado neste versículo bíblico, busco a Deus e dirijo-lhe súplicas, entendendo que estas palavras do Senhor são um convite a que nos abramos com ele e que nos desnudemos em sua presença, eviscerando-nos aos olhos de Cristo, como quando os doentes me mostram suas horríveis feridas, muitas delas em lugares cuja exposição é constrangedora. Deus já curou muitas das minhas feridas!

 

O que desejo compartilhar com aqueles que buscam agradar a Deus e viver em conformidade com a lei de Cristo é que não importa o que nos suceda, nosso dever é apresentarmos TUDO diante de Deus, seja lá o que for, e seja lá o que tivermos feito, e isto a bem das nossas almas. O Senhor Deus não está à espreita buscando ocasiões a fim de nos destruir, muito pelo contrário! O que Deus mais deseja é a nossa alegria, o nosso bem estar e a nossa vitória.

 

“Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” Lucas 9:56

 

Dias Difíceis e o Amor de Uns para com os Outros

 

“E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” Mateus 24:12

 

“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.” 2 Timóteo 3:1-5

 

“O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.” João 15:12

 

No meu consultório médico, vejo e ouço muitas coisas desagradáveis. Porém, meu dever é estar ao lado dos meus pacientes, até que melhorem ou que se vejam curados de suas enfermidades. Não é meu trabalho julgá-los ou condená-los por coisa alguma, mas orientá-los a fim de que tenham saúde. Meu dever é cuidar deles. Sou remunerado financeiramente por isso, é o meu trabalho e a compensação por longos anos de estudos e por muito dinheiro gasto em minha formação (foram seis anos de universidade paga e mais seis anos de especializações, tudo pago e tudo muito caro). Porém, se enquanto prescrevo algum medicamento ou solicito algum exame para um paciente, lhes falo de Cristo, então já não é a remuneração financeira que espero, mas sim a que foi prometida por Cristo:

 

“Disse também ao que o havia convidado: Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e sejas recompensado. Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.” Lucas 14:12-14

 

Sejam quais forem as nossas atividades profissionais, isto tem que estar em segundo plano, se levarmos em consideração as palavras do Senhor Jesus Cristo e seu mandamento. Nossa prioridade é o cuidado para com os nossos irmãos em Cristo, sobretudo para com os mais novos, muitos deles até mesmo assustados e confusos diante da ferocidade do mal que domina o mundo inteiro. Não há tarefa mais nobre nesta existência do que esta, a saber, a tarefa de cuidarmos do que é de Cristo. Se observarmos irmãos cometendo pecados, ou como alguns (na imensa maioria das vezes equivocadamente) dizem: “desviados”, nosso dever é correr para socorrê-los, ainda que enfrentando fortes tempestades, pois o tenebroso ambiente atual em que se encontra imerso o mundo inteiro é terrivelmente favorecedor ao pecado. Não estou aqui pregando nenhuma forma de tolerância ao pecado, mas antes buscando exortar a quantos eu puder a fim de que se armem de misericórdia e de compaixão, pois os dias são muito maus. Já não é mais a hora de nos preocuparmos com saias ou com calças compridas, com maquiagem ou com brincos, com ternos ou com bermudas, mas sim a hora de nos unirmos, em amor, a fim de que possamos ver cumprido em nossas vidas o que está escrito:

 

“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.” Gálatas 6:2

 

Satanás não perderá nenhuma oportunidade a fim de tentar nos desacreditar, a mim e a você. O desejo e o trabalho do diabo visam procurar nos enfraquecer, seja através de acusações ou de ameaças. Se você tem errado em sua vida, e mesmo se possui segredos ocultos, apresente-os todos a Deus, por mais horríveis que sejam. Não permita que sua imperfeição lhe furte a oportunidade de estender sua mão a um irmão em necessidades, ainda que de ordem moral. Pense em sua própria experiência de luta contra o mal e, acima de tudo, lembre-se das palavras do Senhor Jesus Cristo:

 

Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento.” Mateus 9:13

 

É fácil dizer que se está perseverando na fé quando tudo está correndo bem. Todavia, é preciso coragem, perseverança e, acima de tudo, confiança em Deus, para que, mesmo conscientes de nossas imperfeições, erros e falhas, e ainda em meio a dificuldades de toda sorte, nos pormos em posição de ajudar aos irmãos. Esta é uma atitude de fé, e são estas atitudes que fazem diferença aos olhos de Deus.

Em meio a muitas dores e enfrentando complexas dificuldades, ainda assim, neste dia eu me assentei diante do computador a fim de redigir este texto, pois Deus me tem falado sobre a perseverança. Não escrevo este artigo para mim mesmo, mas para que outros possam ser edificados, e Deus é quem conhece as minhas necessidades. E é ele mesmo quem as supre, tanto as minhas como as suas, se é que você ama a Deus.

 

Quanto aos hipócritas, aos fingidos e dissimulados, de modo nenhum eu gostaria de estar na pele deles.
 

“Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? E, se é com dificuldade que o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador? Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.” 1 Pedro 4:17-19

 

Não se renda!

 

 

 -- Dr Leadnet

 

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