A Razão e a Fé

A Filosofia e Deus

Mãe de notáveis idéias, fértil campo para a criatividade e uma propulsora do exercício do intelecto, a filosofia tem também servido de máscara para argumentações anti-Deus. Freqüentemente supervalorizada como se fosse a epítome do exercício intelectual, a filosofia não é um sinônimo para sabedoria. Esta última sendo mesmo o alvo maior da filosofia, e não o contrário. Saber significa conhecer, assimilar e compreender fatos, não especular falsamente a respeito deles.
Diferentemente da filosofia, a sabedoria não dá lugar à especulação e muito menos à fantasia. A assimilação e a conscientização plena de todo o saber pressupõe, inevitavelmente, uma busca pela perfeição. A filosofia é mutável, a perfeição jamais, caso contrário como seria perfeição? Assim como não se pode desassociar o núcleo de uma célula de sua organização natural, sob pena de inviabilizá-la, assim também reduzir o homem ao plano exclusivamente material, não passa de uma agressão à sua natureza intrínseca. A dissociação do espírito humano de seu corpo resulta em morte do ser. Eis porque os cadáveres são cadáveres e não mais seres com vida. Inexoravelmente é, portanto, necessário se reportar à origem da vida. Logo, de onde provém sua origem?
A origem da vida e da existência repousa nas mãos do Criador. Esta compreensão e percepção é o princípio do saber e de todo o conhecimento. E o aperfeiçoamento na sabedoria se dá pelo respeito e pelo temor diante do Deus Todo-poderoso. Ele mesmo é a fonte de toda a sabedoria e Criador da mente dos homens que com ela exercem a atividade de pensar e de refletir.
Porém, pelo excesso e pela supervalorização do pensar muitos homens têm se tornado arrogantes e inimigos de Deus. Mas os que lhe temem o nome se regozijam em conhecê-lo e estão cientes de toda sua generosidade e tolerância.
De fato, o prazer do exercício intelectual não poderia ser considerado como vulgar, antes, pelo contrário, é um exercício elevado. Ainda mais quando levada em conta a atual cultura materialista e imediatista do prazer barato, e que hoje, mais do que nunca, é freqüente e se constitui em um entrave à elevação do ato de pensar de acordo com a elevada posição que o homem ocupa em todo o cenário da criação.
Todavia, a vaidade e a presunção, obscurecedoras da pura razão, facilmente conduzem a mente para o terreno do sonho e para os braços do devaneio. Quando intencionalmente alienada de sua essência espiritual, a mente debilitada se permite a satisfação por tudo o que seja superficial e inconsistente, preza fácil se torna para a fantasia. E isto devido ao fato de se supor, equivocadamente, que o saber sempre se relaciona ao mensurável, ao calculável, ao que é demonstrável pelas noções introduzidas após Descartes, Galileu e Bacon, onde passa a ter lugar preeminente, porém não original, a idéia do racional.
Busca-se a certeza através das hipóteses, pois se espera que estas, se algum dia demonstradas, satisfaçam o apetite de um entendimento moldado, artificializado e sequioso por demonstrar sua suposta infalibilidade. Desta forma afunda-se o homem nos resultados da sua arrogância e precipita-se ainda mais fundo na escuridão da cegueira espiritual. Procurando excluir de seu território a virtude da humildade, ao invés da submissão natural a quem de direito, prefere assim a escravidão e conseqüentemente tolera a opressão. Opressão da tristeza, da angústia, da insegurança, do medo e da solidão, nada disto hipotético, calculável ou demonstrável, porém tão real quanto a própria consciência invisível da certeza de existir. A razão, dissociada da virtude, é como um violino sem cordas ou como uma caneta sem tinta, ou seja, é infrutífera. A fé não se opõe à razão, antes a sustenta. Mas a razão sem a fé, é pior do que a irracionalidade, é loucura.
Que se levantem, portanto, os materialistas e os ateus mascarados de filósofos e respondam: Quem dentre vós pode fazer alguma criatura surgir? Se não possuem este poder, certamente reconhecem que alguém o possui, caso contrário como estariam aí? E se negam a verdade, isso fazem em prejuízo próprio.
A aceitação por parte do homem da sua inferioridade em relação ao que tem o poder sobre a vida e sobre a morte se constitui em saúde para a mente e para o corpo, e, principalmente, saúde para a alma e para o espírito. Mas esta aceitação não parece agradar a todos.
E por que não? Porque significa obrigatoriamente sujeição ao que é superior. E esta sujeição implica na aceitação da ética e da moral divinas. E aqui está o ponto que desagrada a muitos. Contrariados pela própria consciência, procuram obscurecê-la, o que muitas vezes conseguem. Porém negar a verdade é tarefa árdua e mesmo impossível. Ainda assim insistem: dê-nos prova de Sua existência, dizem. E assim, contra si mesmos reafirmam seu estado de rebelião. O que, porém, significa Deus para a filosofia? Deve significar o seu objetivo, o seu alvo e o seu maior anseio. Caso contrário, se a filosofia não buscar o verdadeiro saber, antes estará servindo como máscara para a sua negação, ou seja, servindo à irracionalidade e à escuridão.

--Dr Leadnet 

 " O filósofo que não encontra significado no mundo, não está preocupado exclusivamente com um problema na pura metafísica; ele está também preocupado em provar a inexistência de uma válida razão para que ele pessoalmente não deva fazer como ele quer fazer . . Para mim, como sem dúvida para a maioria dos meus contemporâneos, a filosofia da ausência de significação era essencialmente um instrumento de liberação. A liberação que desejávamos era simultaneamente a liberação de um certo sistema político e econômico e a liberação de um certo sistema de moralidade. Nós nos opúnhamos à moralidade porque ela interferia com a nossa liberdade sexual*Aldous Huxley, "Confessions of a Professed Atheist,(Confissões de um ateu professo)" Report: Perspective on the News, Vol. 3, June 1966, p. 19.

 

"Porque o ímpio gloria-se do desejo da sua alma; bendiz ao avarento, e renuncia ao SENHOR. Pela altivez do seu rosto o ímpio não busca a Deus; todas as suas cogitações são que não há Deus." 

Salmos 10:3,4

 

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