A Eleição dos Cristãos


Bem dizem as Escrituras:

"Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo." (Tiago3:1)

Existe, por parte dos católicos romanos, uma insistência em afirmar que a Igreja de Cristo é a igreja de Roma. Dessa insistência creio que muitos de nós já sabemos.
O que os cristãos devem ter em mente, e isto segundo as Escrituras, é que não existe nenhum divisor de águas no curso da verdadeira Igreja, a que foi fundada pelo Senhor Jesus Cristo, em seus dias entre os homens, em carne.
Nem do alemão Martin Luther (Lutero) e nem do francês Calvino jamais procedeu qualquer enriquecimento à eterna doutrina de Cristo. Com ou sem eles, a Igreja continuaria a sua marcha rumo aos portais eternos, do lado de dentro dos quais se encontra Aquele que por ela espera, o Noivo.
A Igreja de Cristo atravessou o Império Romano, a Europa dos Visigodos, as sociedades tribais européias e africanas, as dinastias asiáticas, o surgimento do Islã, o período medieval, o Absolutismo, o Mercantilismo, a Renascença, a Revolução Industrial, as guerras coloniais, as duas grandes guerras mundiais, o comunismo russo, o fim da guerra fria, e hoje, guardada e protegida, como sempre esteve, pelo Senhor Jesus Cristo, a Igreja pode afirmar, diante dos anjos e dos homens, que se encontra aqui por uma única razão: é o mesmo corpo de Cristo. Jesus é o Senhor da Igreja, seu Dono, seu Rei, seu Deus e seu Mestre.
E tem sido na doutrina do Mestre que tem se sustentado a Igreja.
Todo o poder das palavras de Paulo apontava para a fonte de todo aquele poder: Jesus Cristo, Deus. E foi o próprio Paulo quem escreveu:

"Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões; antes sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Acaso Cristo está dividido? foi Paulo crucificado em favor de vós, ou fostes porventura, batizados em nome de Paulo?" (1 Coríntios 1:10-13)

Todos os apóstolos, sem exceção, pregavam e ensinavam a doutrina de Cristo. Ela é única, imutável, incorruptível e eterna.
Houve já muitos homens de Deus, ao longo da História, que receberam de Deus o dom de ensinar. Mas de ensinar a doutrina de Cristo. Nunca jamais qualquer acréscimo ou subtração recebeu aprovação da parte de Deus.
Se em relação a este ou àquele determinado ensino do corpo da doutrina de Cristo, alguém não possui compreensão, o melhor que tem a fazer é orar ao Mestre e, se for o caso, perguntar aos mestres da Igreja, aos que receberam de Deus esse dom (cf.1 Coríntios 12: 28). Se tiver sido esclarecido, ótimo, se não, que pacientemente aguarde até que possa receber a graça de compreender o que ainda não pôde entender, ou que se cale.
Opiniões, jamais. De opiniões está farta, por exemplo, a igreja católica romana. Opiniões de papas, de bispos, de monges, de teólogos, de professores, de leigos e de muitos outros hereges. Mas a Igreja de Cristo não necessita de opiniões, mas sim de entendimento, e este é dado à Igreja pelo próprio Deus. Entendimento da doutrina de Cristo.
O mundo adora filósofos e filosofias, mas odeia a Verdade absoluta. A Verdade absoluta é Cristo. Na Verdade, que é perfeita, não há variação.

Em relação ao assunto da eleição, é surpreendente que tenha havido, e que ainda haja, tantas discussões em torno disto.
Se o Senhor Deus tivesse concedido ao próprio homem o direito de decidir, por si só, se quereria ou não ir para o céu, isto faria do homem o seu próprio juiz, salvador ou condenador. Isto contradiria frontalmente as Escrituras que solenemente afirmam:

"Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer;" (Tiago 4:12).

A eleição e a predestinação não podem ser consideradas como sendo opinião, hipótese ou teoria, antes é um fato bíblico.
Deus, segundo sua presciência, de antemão, não somente já julgou os seres humanos, como também já preparou o caminho de cada um de seus servos antes mesmo que nascessem. A vida de cada um sobre a terra é evidência para o dia do juízo, quer seja de salvação, quer de condenação. Por esta razão Deus permite que tantos males sejam cometidos, pois serão evidência contra quem os praticou, assim como as boas obras dos santos, feitas em Cristo, serão evidência de salvação para os que as praticaram.
A predestinação assevera a onisciência de um Deus justo e imparcial que, de antemão, preparou todas as coisas para Cristo, segundo o poder da sua herança que preparou para o Filho, a qual somos nós. Presente eterno do Pai para o Filho.
Deus anunciou a eleição de homens como, por exemplo, João Batista, Sansão, Jacó, Davi, dentre muitos. Deus declarou a eleição de Daniel diretamente a ele:

"Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás, e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança." (Daniel 12:13).

E Deus anunciou e declarou a eleição do próprio Filho:

"Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos gentios." (Mateus 12:18)

No entanto, o Senhor Jesus Cristo teve de enfrentar o poder de toda a oposição de Satanás. A tentação de Cristo no deserto foi real, terrível e perigosa. Mas ele venceu. Venceu pelo poder de Deus e para que se cumprissem as Escrituras que profetizavam a sua vitória. E são essas mesmas Escrituras que profetizam a vitória da Igreja eleita.
O homem jamais seria capaz, por si só, de decidir se entraria ou não no céu, visto que tal decisão compete unicamente a Deus e a Bíblia afirma que seus juízos são impenetráveis. São atributos exclusivos de Deus. Igualmente, o homem não seria jamais capaz de poder firmar, por si só e sem vacilar, o propósito da salvação em sua vida. E por essa razão foi que ninguém, a não ser Cristo, pôde cumprir a Lei de Moisés. A salvação é um dom de Deus, do começo ao fim. A salvação não implica em nenhuma forma de mérito, nem mesmo o da simples intenção.
O que dizer então do livre arbítrio?
Muitos não compreendem que o livre arbítrio concedido aos homens não é absoluto, mas LIMITADO. E o limitado livre arbítrio do homem não penetra os elevados e inacessíveis juízos de Deus. Pelo livre arbítrio o homem obedece ou não a Deus. Se a Deus obedece, isso o faz porque nele crê, e por esta mesma fé, a que o conduz à obediência, é que será salvo. Se não obedece a Deus é porque não crê, e a incredulidade o conduzirá ao inferno. Mas pelo livre arbítrio ninguém pode decidir a respeito da salvação. Ao homem é ordenado não julgar. Nem ao próximo e nem a si mesmo. Pela fé o homem é salvo, e pela obediência evidencia a sua salvação, não sendo, porém, o homem co-participante nela. A salvação é pela graça, independente de obras e de intenções. Na magnificência do poder de Deus para salvar os que crêem a glória do Seu nome é louvada e manifesta. Glória esta que não pode ser dada a ninguém. Somente Deus a possui.
O verdadeiro Senhor das almas dos homens é o próprio Deus.

"Eis que todas as almas são minhas;..." (Ezequiel 18:4)

Era, portanto, de Deus a alma de Jacó, que Ele destinou para a salvação, como também de Deus era a alma do Faraó, que ele destinou para a perdição.

"E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já lhe fora dito a ela:
O mais velho será servo do mais moço.
Como está escrito:
Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú." (Romanos 9:11-13)

"Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?" (Romanos 9: 22-24)

Um exame em Marcos 4:11,12, mostra de forma inequívoca que Deus tem um povo de antemão escolhido. Caso contrário, como poderia o Senhor Jesus ter pronunciado estas palavras?

"Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se ensina por meio de parábolas, para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam, para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles."
(Marcos 4:11,12)

Ele, evidentemente sabia, de antemão, quem seria salvo. A leitura atenta de todo o capítulo 4 de Marcos não deixa dúvidas quanto à realidade da eleição e da predestinação.

E ainda:

"...; porque a fé não é de todos." (2 Tessalonicenses 3:2)

Pedro escreveu também que devemos confirmar nossa eleição, significando uma responsabilidade muito grande que paira sobre nós.

"Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição;..." (2 Pedro 1: 10)

Se a segurança da nossa salvação fosse deixada ao critério da nossa vontade, esforços e dedicação, seríamos facilmente derrotados por Satanás e nos tornaríamos semelhantes aos que dizem: "vou para o céu porque mereço, faço por onde".
A Bíblia não apóia a doutrina da salvação universal implícita nas doutrinas do Catolicismo Romano, bem como também não apóia, e nem mesmo poderia, as doutrinas de ausência de salvação ensinadas pelo Espiritismo e pelo Budismo, ambos filhos doutrinários do satânico Hinduísmo.
Dizer ainda que a predestinação de que fala a Bíblia, se refere ao simples fato de Deus ter escolhido pessoas antes de nascerem por Ele já saber quem o aceitaria ou não, é uma interpretação muito simplista e singela das Escrituras, pois o juízo de Deus envolve aspectos muito profundos e absolutamente desconhecidos por nós. Por exemplo, como julgar os recém nascidos que logo morrem ou os fetos assassinados em abortos provocados? Que mérito possuíam eles para a salvação? Que poder de escolha tiveram? Que puderam decidir? E quanto aos adolescentes que cometem suicídio, alguns ainda crianças? Como julgá-los? Simplesmente nos é ordenado por Cristo que não ousemos fazê-lo.
A consciência da eleição não é permissão para a licenciosidade, é, antes, um conforto que temos da parte de Deus para sabermos que mesmo sacrificando, se necessário, nossas próprias vidas até à morte, em prol da causa de Cristo, terá valido a pena.
Sim, Deus escreveu o nome dos eleitos no livro da vida ANTES da fundação do mundo, segundo a revelação dada à igreja em Apocalipse 13:8.
Aos legalistas e possuidores de orgulho próprio cabe bem a doutrina do "salvo por merecimento". A doutrina do livre arbítrio salvador é míope, e o pior, é arrogante.
A doutrina do livre arbítrio que salva dá a Deus aquilo que ele nunca pediu e nunca desejou: a colaboração do homem para a sua própria salvação. Mas antes, está escrito:

"...a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus." (1 Coríntios 1: 29)

E Jó teve de passar pelo fogo purificador de um duro aprendizado e pelo rigor de um difícil aperfeiçoamento de caráter, até que pudesse entender as palavras do versículo acima citado.
Em um glorioso momento no Livro de Jó, Deus o interroga e diz:

"...Quem é, pois, aquele que pode erguer-se diante de mim? Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe?" (Jó 41:10,11)

E ao falar sobre a eleição dos gentios e do remanescente de Israel, essas mesmas palavras são ditas por Deus na Epístola aos Romanos:

"Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus!
Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!
Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? ou quem foi o seu conselheiro?
Ou quem primeiro lhe deu a ele para que lhe venha a ser restituído?"
(Romanos 11:33-35)

A consciência da eleição, segundo os critérios insondáveis de Deus, produz no cristão um profundo sentimento de adoração e de temor ao Todo-poderoso.

A verdade é que ninguém é salvo por que "simplesmente escolheu ser salvo", mas se alguém é salvo, é exclusiva e unicamente porque Deus assim o quis.

"Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão."
(Romanos 9:15)

Igualmente, ninguém pode ser salvo se, por Deus, não tiver sido chamado.

"E aos que predestinou, a esses também chamou;..."
(Romanos 8:30)

A consciência da eleição, bem como seu entendimento, requerem um espírito e um coração aperfeiçoados na humildade. Pois os que na humildade são aperfeiçoados não ousam se vangloriar diante de Deus. Por nada. E é aos humildes que são revelados os mistérios profundos das coisas de Deus.

"Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia, em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e por causa das tuas palavras é que eu vim."
(Daniel 10:12)

Que Deus tenha misericórdia de nós! Então seremos salvos por Cristo!

"Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele."
(Apocalipse 17:14)

"Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem o pode dissuadir? O que ele deseja, isso fará.
Pois ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem consigo."
(Jó 23: 13,14)

-- Dr Leadnet

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