
A Existência
Definir a existência não é uma tarefa fácil. Contudo, ao se iniciar o
processo de conscientização a respeito da vida, o que normalmente ocorre no
período da adolescência, o ser humano começa a indagar a respeito de quem é
e a respeito do seu papel nesta vida. O questionamento vai, ano após ano,
tomando corpo e, freqüentemente, culmina com a conhecida indagação: Quem sou?
De onde vim e para onde irei?
Conhecidos pensadores e filósofos, tanto os da antiguidade como os da
atualidade, persistem, muitos deles, nestas mesmas questões. Este tipo de
inquirição, se sustentada por uma perspectiva humanística, leva muitos a
adotar uma postura antropocêntrica, isto é, o homem como sendo o centro e a
causa de todo o processo de existir. Este é o primeiro passo para a elaboração
de filosofias e também de teorias a respeito da realidade da existência. Um
bom exemplo disto é a famigerada, insustentável e cientificamente não comprovável
Teoria da Evolução. Este tipo de argumentação humana e especulativa é como
um andar em círculos ou como dar murro em ponta de faca, pois nunca jamais se
pode sair do terreno da imaginação.
Contudo, ao observarmos, de coração sincero, a natureza que nos rodeia,
poderemos perceber o toque sobrenatural de Deus em toda a sua criação. A
perfeita harmonia de formas, cores, funções, equilíbrio, constância e beleza
nos leva diretamente ao reconhecimento da existência de um Criador.
Desta forma, o homem pode iniciar uma caminhada em direção ao ponto correto de
onde deve observar e aprender com a criação, ou seja: Deus é a verdadeira razão
para todas as coisas existirem.
Deste ponto em diante, o homem passa a perceber e a reconhecer um sentido para a
sua própria existência. Já não mais sobrecarregado com a árdua (e impossível)
tarefa de tentar explicar a existência por seus próprios meios limitados, o
homem passa a APRENDER sobre a existência.
Todo o propósito para a vida humana, para a natureza e para todo o cosmos
reside no indispensável entendimento do fato de que o homem é uma criatura, e
sendo criatura é dependente, e dependente do Criador.
Ao olharmos desta forma a existência, poderemos entender que Deus é o início
e o fim de toda a indagação, inquirição e questionamentos a respeito da
realidade da existência.
A conseqüência direta da contemplação da existência tendo Deus como seu
maior anseio conduz o homem pela busca de um conhecimento mais profundo do seu
Criador. E o resultado desta busca redunda em paz de espírito, sabedoria,
consolo e segurança.
" Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim."
Senhor Jesus Cristo. (Apocalipse 22:13)
A Existência
e o Melhor da Vida
Ao contemplarmos a natureza que nos rodeia, o mar, as florestas, os montes, os
animais, enfim, a criação, somos levados a um estado de reconhecimento
imediato da beleza estética com que Deus contemplou as suas obras. Nossos olhos
desejam e cobiçam as belezas e os prazeres desta vida. Sentimos um impulso que
nos convida a banquetearmo-nos e a festejar a vida. Desejamos obter o máximo e
o melhor possível em nossa existência física.
Ao assistirmos a televisão, ao ler revistas, ao caminhar pelas cidades, logo
nos é passada a idéia de que o melhor é, como dizem, "estar de bem com a
vida" . Contudo, inevitavelmente, somos obrigados a nos deparar com a
realidade: Um dia morreremos. Além disso, há miséria, dor, angústias e
necessidades à nossa volta. Como lidar com este aparente dilema? Como estar
"de bem com a vida" se à nossa volta ecoam os gritos dos desesperados
e diante de nós se nos apresenta a realidade da morte?
Diante de tal indagação só nos restam duas opções: Ou simplesmente nos
deixamos levar por esta aparente idéia de que a vida é uma festa e, desta
forma, vivemos para os prazeres e para o "bom da vida", ou escutemos
ao Autor da vida, o Criador. Qual é o melhor?
Para mim tenho por certo que melhor é darmos ouvidos a quem sabe o que é o
melhor. E saber reconhecer e adotar o melhor como regra de vida, isto se chama:
Sabedoria.
Vejamos, pois, o que nos diz este curioso e interessante trecho das Escrituras:
"Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete,
pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em
consideração.
Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o
coração.
O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos na casa da
alegria"
Eclesiastes 7:2,3
Nossa experiência na vida, hoje no século XXI, não difere em essência da
experiência pela qual tantas outras pessoas já passaram ao longo de milhares
de anos. E Deus, seguramente, apontou a todos o melhor caminho a escolher.
Quando se constrói uma casa ou quando se cultiva um campo ou uma fazenda, ou ao
se adquirir dinheiro e poder, logo tendemos a nos apegar ao que foi construído
e adquirido e dizemos: "Eis as minhas possessões! Tudo isso é meu, sou
possuidor de bens! Sou rico e abastado! Sou feliz!"
Contudo, com o passar dos anos, nos podemos dar conta de que tudo o que possamos
vir a construir ou adquirir nesta vida é lamentavelmente efêmero. Nada,
absolutamente, podemos levar conosco após findos os breves dias nesta terra.
Salomão, o mais sábio, rico e poderoso rei de toda a História, viu-se diante
deste aparente dilema e entristeceu-se. Ele havia se empenhado em construir
grandes obras, casas, vinhas, jardins, pomares, até açudes e bosques. Amontoou
para si ouro em grande abundância, tesouros, gado, cavalos, e era servido por
uma multidão de servos. Mas terminou por dizer:
"Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo
do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento.
Também aborreci todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, visto
que o seu ganho eu o haveria de deixar a quem viesse depois de mim."
Eclesiastes 2:17, 18
Em minha prática profissional como médico tenho assistido a muitos pacientes
que já velhos (e muitos deles enfermos), ao final de suas vidas, realizam uma
espécie de feedback mental e, através da memória, revivem muitos momentos de
suas vidas que terminam por ter de ser confrontado com a realidade do findar da
existência terrena. Muitos lamentam, sofregamente, o fato de terem se empenhado
tanto por coisas que, ao final da vida, são iguais a nada. Terminam por
perceber, surgindo no horizonte, a realidade da morte e se entristecem.
Alguns atletas que, durante os anos de sua juventude, tantas proezas puderam
realizar com o corpo, ao passar dos anos surpreendem-se e também se entristecem
com o inevitável processo do envelhecimento que lhes limita o desempenho físico.
Por que disto tudo? Como encontrar sentido ou motivação para existir em uma
vida que, segundo estatísticas, normalmente não ultrapassa os setenta anos
para a grande maioria das pessoas? Como lidar com a combinação alegria +
tristeza que parece ser a tônica da existência humana? Enfim, como obter o
melhor?
Primeiramente, se optarmos por dar ouvidos ao Soberano Criador, poderemos, de
pronto, estar certos de que Ele sabe mais do que nós e que deseja o melhor para
nós.
Ao compararmos a vida do glorioso rei Salomão, rico e próspero em tudo, com a
vida do Senhor Jesus Cristo, logo algo nos chama a atenção: Quem é maior?
Salomão ou Jesus? Os conhecedores das Escrituras sabem que, indubitavelmente, o
Filho de Deus, Jesus, possui preeminência em todos os aspectos possíveis,
sendo, portanto, maior do que Salomão. Contudo, as Escrituras nos mostram que o
legítimo dono do mundo, Senhor de todos os tesouros deste planeta, viveu uma
vida de pobre, sem riquezas, ostentação e sem banquetear-se com os prazeres
desta vida. O que isto significa? Significa que o Filho de Deus nos mostrou o
melhor. Quase que instantaneamente o nosso raciocínio nos apresenta um quadro
de aparente dilema: Como é possível alguém viver pobre e isto ser considerado
o melhor? Para este legítimo questionamento nos é apresentada a seguinte
realidade: Existem duas formas de riqueza, a riqueza espiritual e a riqueza
material. A primeira eterna e a segunda temporária.
De fato, o Senhor Jesus Cristo nunca deixou de ser o legítimo dono de todas as
riquezas deste mundo. Tudo sempre pertenceu a ele:
"Porque
dele e por meio dele e para ele são todas as coisas" Romanos 11:36
"Tudo
me foi entregue por meu Pai" Mateus 11:27
"ora,
todas as minhas coisas são tuas e as tuas coisas são minhas" João 17:10
Mesmo embora
sendo o verdadeiro dono de todo o ouro, prata, petróleo, gado, campos, mares,
etc..., coube a Cristo dar-nos o exemplo de qual tipo de riqueza optar por
possuir e em razão de que tipo de riqueza existir:
"Não
acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem
corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros
no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem
roubam; porque onde está teu tesouro, aí estará também o teu coração"
Mateus 6:19-21
"Ninguém
pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao
outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e
às riquezas" Mateus 6:24
Jesus não
somente pronunciou estas palavras como também, pessoalmente, as viveu. O Filho
de Deus não se devotava a usufruir de toda a imensurável riqueza material que
possuía sendo o dono do mundo, mas, ao invés disso, optou por oferecer sua
vida para servir e ajudar àqueles que por Deus lhe foram entregues. Porém, sua
riqueza celestial e eterna ultrapassa a nossa capacidade de imaginação:
"Todas
as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as
coisas, nada deixou fora do seu domínio" Hebreus 2:8
O Senhor Jesus
Cristo, após ter cumprido na terra a missão que lhe fora outorgada por Deus,
conquistou para si domínio eterno sobre todas as coisas. Além disto, e o que
é mais impressionante, conquistou também para nós toda esta supremacia e domínio:
"Ao
vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci,
e me sentei com meu Pai no seu trono" Apocalipse 3:21
O trono de
Deus é o lugar de onde Deus domina sobre tudo, e é exatamente neste elevadíssimo
trono que os vencedores se assentarão com Cristo. Serão eternos possuidores de
todas as eternas riquezas do reino de Deus. Vejamos quão impressionantes são
estas palavras:
"Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino"
Lucas 12:31
Estas palavras
(e também um promessa) de Deus nos revelam que aprouve a Deus constituir-nos
donos juntamente com Cristo de todas as riquezas e glórias celestiais.
Convém notar, porém, que Jesus faz estas promessas aos vencedores. Àqueles
que venceram todo este sistema mundano injusto, perverso e satânico, aos que
compartilham da mesma vitória que nos conquistou Jesus sobre o mundo:
"mas tende bom ânimo, eu venci o mundo"
João 16:33
"porque tudo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé"
1 João 5:4
Toda a glória
que Cristo recebeu ao ascender ao céu foi precedida por uma vitória. A vitória
sobre o mundo (do grego: Cosmos).
O Senhor Jesus Cristo não necessitava de aqui ter descido, se humilhando,
vivendo uma vida como pobre, a não ser por nossa causa. A vitória que
conquistou foi para nós. Sua morte e ressurreição ocorreram por nossa causa.
O dono dos céus e da terra aqui desceu a fim de nos resgatar da inexorável
condenação que sobrevirá a este mundo inimigo de Deus.
"Infiéis,
não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que
quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus" Tiago 4:4
O mundo com
seus sistemas de governo quer sejam democráticos, comunistas, socialistas,
neoliberais, ou seja lá como queiram chamar seus sistemas de governo, é um
mundo escancaradamente injusto e perverso. Uma pequena parte da população
mundial se banqueteia, ao passo que a imensa maioria vive em necessidade e miséria.
O belo quadro pintado, pela mídia televisiva ou escrita, de um mundo onde a
felicidade está a um passo, não deixa de ser uma farsa armada com o objetivo
de iludir-nos, a fim de conduzir-nos ao consumismo, ao materialismo e à condenação
eterna. Se, por um lado, o objetivo dos homens é o lucro, o objetivo de Satanás
é a nossa destruição. Logo, lado a lado, caminham objetivos malignos e contrários
à vontade de Deus. Esta última, porém, objetiva nossa saúde física, mas,
principalmente, espiritual e eterna. Os homens se utilizam de uma imagem irreal
de um mundo onde as possessões e os prazeres trariam a felicidade aos homens,
bastando a esses que trabalhem e consumam (comprem), a fim de auferir-lhes
lucro, e este às custas da estultice de muitos. Satanás fomenta a mentirosa
imagem de um mundo feliz, a fim de atrair as nossas atenções e fazer-nos
esquecer que somos mortais e que há um juízo vindouro.
Ser cristão não significa viver na pobreza esperando a morte. Mas significa,
antes de tudo, a salutar preocupação em investirmos todos os nossos recursos
nos mais rentáveis investimentos: A fé, a justiça e a misericórdia (Mateus
23:23). Isto é o melhor. E foi isto, precisamente, que entendeu o riquíssimo
rei Salomão quando disse:
"De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más"
Eclesiastes 12:14
Diante de nós temos as opções de escolha: sermos amigos do mundo e entesourarmos para esta vida, ou, desprezarmos este sistema mundano injusto e traiçoeiro, apegando-nos e devotando-nos àquele que nos promete os tesouros eternos. A segunda escolha é, simplesmente, o melhor da vida.
--Dr Leadnet